O Banco do Brasil informou oficialmente ao Tribunal de Contas da União (TCU) que não possui qualquer intenção ou estudo para assumir o controle do Banco de Brasília (BRB), processo conhecido como “federalização”. A declaração foi formalizada em ofício enviado ao órgão de controle na quarta-feira (11 de março de 2026).
No documento, a instituição afirma categoricamente não ter “estudos, notas técnicas, grupos de trabalho, deliberações internas ou outro ato preparatório relacionados a qualquer intenção de assumir o controle do BRB”. A resposta atende a um pedido do ministro do TCU, Bruno Dantas, que deu prazo de 15 dias para que bancos públicos federais e o Ministério da Fazenda se manifestassem sobre o tema.
A solicitação do TCU ocorre em meio a rumores sobre uma possível intervenção federal para auxiliar o BRB, que busca recompor seu patrimônio após transações problemáticas com o Banco Master, reveladas pela Operação Compliance Zero da Polícia Federal em novembro de 2025.
Embora o Banco do Brasil tenha se posicionado, o prazo para respostas permanece aberto. Até o momento, outras instituições consultadas – Caixa Econômica Federal, BNDES e Ministério da Fazenda – ainda não se manifestaram oficialmente.
Em entrevista anterior, no dia 25 de fevereiro, o secretário do Tesouro e presidente do Conselho da Caixa, Rogério Ceron, havia indicado que o banco acompanhava a situação do BRB como uma eventual “oportunidade de negócio”, alimentando especulações.
No despacho que originou a consulta, o ministro Bruno Dantas justificou a medida pela “materialidade potencial elevada” dos valores envolvidos e pelo “risco de efeitos relevantes sobre o patrimônio público federal”. Ele também destacou que, em operações de reestruturação bancária, é comum que decisões se formem de maneira célere e por etapas, muitas vezes sob sigilo.
O TCU solicitou informações específicas a cada órgão: estudos e atos preparatórios sobre aquisição ao Banco do Brasil e à Caixa; demandas sobre estruturação de garantias ao BNDES; e tratativas sobre alternativas e impacto fiscal ao Ministério da Fazenda.