O Banco do Brasil (BB) divulgou nesta quarta-feira (11) um lucro líquido de R$ 20,7 bilhões para o ano de 2025. O resultado, que está dentro da faixa revisada de projeção do banco (entre R$ 18 bi e R$ 21 bi), representa uma queda de 45,4% em comparação com o ano anterior.

A instituição financeira, que inicialmente projetava um lucro entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões para 2025, precisou revisar suas estimativas ao longo do ano, suspendendo a previsão em maio e realizando novos ajustes em agosto e novembro.

Em comunicado, a presidente-executiva do BB, Tarciana Medeiros, caracterizou 2025 como um ano de ajustes. O desempenho foi impactado principalmente pelo aumento da inadimplência em parte da carteira do agronegócio e pela implementação de novas regras contábeis.

Desempenho no Quarto Trimestre e Projeções para 2026

No último trimestre de 2025, o BB registrou um lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, uma queda de 40,1% na comparação anual, mas um crescimento de 51,7% em relação ao terceiro trimestre, superando as expectativas do mercado que previam R$ 4,5 bilhões.

Para 2026, o banco projeta um lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A expectativa é de uma expansão modesta na carteira de crédito total (de 0,5% a 4,5%), com destaque para o segmento de pessoa física, que deve crescer entre 6% e 10%.

Inadimplência em Alta e Retorno sobre Patrimônio

O indicador de inadimplência acima de 90 dias do BB atingiu 5,17% no final de dezembro, ante 4,51% no trimestre anterior e 3,16% um ano antes. O banco atribui parte significativa desse aumento a um caso específico de R$ 3,6 bilhões na carteira de uma empresa do atacado. Excluindo esse impacto, o índice seria de 4,88%.

A carteira do agronegócio, que tem pressionado os resultados, registrou inadimplência de 6,09%, um salto em relação aos 2,23% do final de 2024.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do banco voltou a dois dígitos no quarto trimestre, ficando em 12,4%. Apesar da recuperação frente aos 8,4% do trimestre anterior, o índice ainda está abaixo dos 20,8% registrados em 2024 e do desempenho de concorrentes como Itaú e Santander no período.

O BB também anunciou a distribuição de R$ 1,2 bilhão aos acionistas na forma de Juros sobre Capital Próprio (JCP) complementar.