O Banco do Brasil divulgou um resultado financeiro marcado por um impacto significativo de um grande calote e pela queda do lucro anual. O banco registrou uma perda de R$ 3,6 bilhões devido à inadimplência de uma única empresa do setor atacadista no quarto trimestre de 2025.

Esse episódio específico fez o índice de inadimplência acima de 90 dias saltar para 5,17% no período, contra 4,51% no trimestre anterior. Sem considerar esse caso isolado, o indicador teria ficado em 4,88%. O vice-presidente de Riscos, Felipe Prince, afirmou que se tratava de uma operação antiga e já provisionada, que foi regularizada e cedida a terceiros no início de 2026.

O lucro líquido do Banco do Brasil em 2025 foi de R$ 20,7 bilhões, uma queda de 45,4% em relação ao ano anterior. No quarto trimestre, o lucro ajustado ficou em R$ 5,7 bilhões, recuo de 40,1% na comparação anual, mas superando as expectativas do mercado.

Para 2026, a instituição projeta um lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A carteira de crédito total deve crescer entre 0,5% e 4,5%, com destaque para a expectativa de alta de 6% a 10% no segmento de pessoa física.

A inadimplência também avançou em outras frentes. Na carteira de pessoa física, o índice subiu para 6,56%. No agronegócio, que segue pressionando os resultados, a taxa de inadimplência acima de 90 dias atingiu 6,09%, um aumento expressivo frente aos 2,23% de um ano antes. Executivos do banco preveem uma inflexão nesse cenário a partir do primeiro trimestre de 2026.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do BB voltou a dois dígitos no quarto trimestre, ficando em 12,4%, mas ainda abaixo do desempenho de concorrentes como Itaú e Santander. O banco também anunciou a distribuição de R$ 1,2 bilhão em juros sobre capital próprio (JCP) complementar aos acionistas.