O Banco Central (BC) informou ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre uma nova investigação sigilosa, já encaminhada ao Ministério Público Federal, que apura fraudes adicionais cometidas pelo conglomerado do Banco Master. As novas irregularidades teriam sido realizadas na tentativa de o banco continuar operando, somando-se às fraudes de R$ 12,2 bilhões já descobertas pela autoridade monetária.

Em um relatório de 15 páginas solicitado pelo ministro do TCU, Jonathan de Jesus, o BC detalha a crise financeira do Master. O documento, assinado pelos diretores de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, e de Reorganização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, também afasta especulações sobre divergências internas no BC quanto ao processo que culminou na liquidação do banco.

A nova fraude, comunicada ao MPF em 17 de novembro de 2025, teria sido montada para atender a uma exigência do BC por novos aportes de capital. A fiscalização identificou indícios de crimes de desvio de recursos e gestão fraudulenta, com passagem de valores por fundos envolvidos no escândalo da Operação Carbono Oculto.

O relatório ainda revela que, em 4 de maio de 2025, o Master firmou um contrato de assistência de liquidez de curto prazo com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), pois já não conseguia honrar compromissos com clientes. Para o acordo, o FGC proibiu a captação via CDBs com taxas acima de 100% do CDI – prática que havia gerado os problemas de liquidez, com taxas que chegavam a 140%.

Entre maio e outubro de 2025, enquanto o Master captou apenas R$ 90,2 milhões com taxas inferiores a 100% do CDI, o FGC destinou cerca de R$ 4,3 bilhões para quitar CDBs do banco que venceram no período, evidenciando sua inviabilidade.

O documento também traz o histórico das negociações infrutíferas por aportes e detalha transações irregulares entre Master e BRB na tentativa de venda do banco privado para o governo do Distrito Federal.

O diretor Ailton de Aquino Santos deve depor à Polícia Federal e a um juiz auxiliar do ministro Dias Toffoli nesta terça-feira (30), podendo passar por acareação com o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique da Costa.

Fonte: G1