O Banco Central (BC) determinou nesta quarta-feira (11) a liquidação extrajudicial da fintech Dank Sociedade de Crédito Direto. A decisão, assinada pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, foi tomada devido ao “grave comprometimento da situação econômico-financeira e as graves violações às normas legais” da instituição.
Com a medida, o funcionamento da Dank foi imediatamente interrompido e ela foi retirada do sistema financeiro nacional. A liquidação extrajudicial é um procedimento aplicado pelo BC em casos de insolvência irrecuperável ou quando são cometidas infrações graves às normas do setor.
O BC nomeou a Faccio Administrações como empresa responsável pelo processo de liquidação dos ativos da fintech.
O modelo de negócio da Dank
A Dank operava como uma Sociedade de Crédito Direto (SCD), um modelo regulamentado que permite a concessão de crédito com recursos próprios por meio de plataformas eletrônicas. Este tipo de instituição financeira não está autorizada a captar recursos do público.
Além de empréstimos, as SCDs podem prestar serviços como análise de crédito para terceiros, cobrança, distribuição de seguros relacionados às suas operações e emissão de moeda eletrônica.
Situação financeira crítica
Com sede em Jaraguá do Sul (SC), a Dank havia recebido autorização do BC para funcionar em 2022. No entanto, os últimos dados disponíveis, referentes a setembro de 2025, já apontavam para uma situação financeira delicada.
A fintech registrava um passivo (dívidas e obrigações) de R$ 43,8 milhões, contra um patrimônio líquido de apenas R$ 975 mil, evidenciando o desequilíbrio que culminou na intervenção do regulador.
A liquidação da Dank serve como um alerta sobre os riscos no setor de fintechs e reforça o papel de supervisão do Banco Central para garantir a estabilidade do sistema financeiro.