O Banco Central (BC) decretou, nesta quarta-feira (21 de janeiro de 2026), a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição conhecida como Will Bank. A medida, que encerra definitivamente as atividades do banco digital, ocorre após meses de intervenção e frustradas tentativas de venda.
O Will Bank, que fazia parte do conglomerado do Banco Master, vinha operando sob o Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde a liquidação de sua controladora, em novembro de 2025. O BC assumiu temporariamente o controle para tentar uma solução que preservasse a instituição, mas a situação financeira se deteriorou irreversivelmente.
Segundo o Banco Central, a decisão foi tomada devido ao “comprometimento da situação econômico-financeira” do Will Bank, sua insolvência e o vínculo de controle com o Banco Master, já em liquidação. O estopim foi o descumprimento, no dia 19 de janeiro, dos pagamentos devidos ao arranjo Mastercard, o que levou à suspensão da aceitação de seus cartões.
Foco em inclusão financeira e base no Nordeste
Criado com o propósito de promover a inclusão financeira, o Will Bank era voltado principalmente para pessoas de renda média e baixa, com pouco acesso ao sistema tradicional. A instituição construiu uma base significativa de clientes, alegando ter alcançado 12 milhões de usuários, com cerca de 60% deles concentrados na região Nordeste, muitos em cidades de pequeno porte.
Impacto nos clientes e papel do FGC
Com a liquidação, caberá ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ressarcir os credores lesados. A previsão é que a operação custe aproximadamente R$ 5 bilhões ao fundo. O FGC indeniza os valores investidos somados aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, com um limite de R$ 250 mil por credor (CPF ou CNPJ).
Frustração na tentativa de venda e acúmulo de dívidas
Fontes indicam que a liquidação não ocorreu antes porque havia negociações em andamento com um potencial investidor de origem árabe interessado na compra do Will Bank. No entanto, o negócio não se concretizou. Diante do acúmulo de dívidas e da inviabilidade de reestruturação, o BC entendeu que a liquidação era a única alternativa.
Contexto do Caso Master
A liquidação do Will Bank é um desdobramento direto do colapso do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro e liquidado em dezembro de 2025. O Master enfrentava sérias dificuldades, com alto custo de captação e exposição a investimentos de risco. Investigações, como a Operação Compliance Zero da Polícia Federal, também atingiram figuras ligadas ao conglomerado.
Em nota oficial, o BC afirmou que continuará apurando as responsabilidades no caso, o que pode levar a sanções administrativas e comunicações às autoridades competentes. Os bens dos controladores e ex-administradores do Will Bank foram tornados indisponíveis.