A China anunciou um superávit comercial recorde de quase US$ 1,2 trilhão em 2025, impulsionado pelo aumento das exportações para mercados fora dos Estados Unidos. A diversificação para o Sudeste Asiático, África e América Latina protegeu a economia das tarifas americanas e das fricções comerciais intensificadas desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca.

“A economia da China continua extraordinariamente competitiva”, disse Fred Neumann, economista-chefe para a Ásia do HSBC. “Isso reflete ganhos de produtividade e sofisticação tecnológica, mas também a fraca demanda interna e a consequente capacidade ociosa.”

O superávit anual atingiu US$ 1,189 trilhão, valor equivalente ao PIB de uma das 20 maiores economias do mundo. “Com parceiros comerciais mais diversificados, a capacidade da China de resistir a riscos foi significativamente aprimorada”, afirmou Wang Jun, vice-ministro da administração aduaneira chinesa.

As exportações cresceram 6,6% em valor em dezembro, superando as previsões, enquanto as importações aumentaram 5,7%. “O forte crescimento das exportações ajuda a mitigar a fraca demanda interna”, observou Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management.

Embora as exportações para os EUA tenham caído 20% em 2025, as vendas para a África saltaram 25,8%, para o bloco ASEAN subiram 13,4% e para a UE cresceram 8,4%. Os superávits comerciais mensais ultrapassaram US$ 100 bilhões sete vezes no ano, sustentados em parte por um yuan enfraquecido.

Economistas preveem que a China continuará ganhando participação no mercado global em 2026, impulsionada pela criação de centros de produção no exterior e pela forte demanda por componentes eletrônicos. No entanto, Pequim reconhece a necessidade de moderar suas exportações industriais para lidar com o problema de imagem causado pelas exportações excessivas.

O desafio de Trump à China persiste, com ameaças recentes de tarifas adicionais. “A ameaça de Trump ressalta o potencial para o aumento das tensões comerciais”, disse Zichun Huang, economista para a China da Capital Economics.