A Azul Linhas Aéreas anunciou que planeja retomar o crescimento de suas rotas internacionais a partir de 2027, após concluir o processo de renovação e reorganização de sua frota. A informação foi confirmada pelo CEO John Rodgerson em coletiva de imprensa.
O executivo destacou que 2026 será um ano dedicado à transição operacional, com a chegada de novas aeronaves e a devolução de modelos mais antigos. Este movimento ocorre após a companhia concluir com sucesso o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11), que permitiu uma reestruturação financeira profunda.
Rodgerson também foi enfático ao descartar qualquer possibilidade de retomar negociações de fusão com a Gol. Segundo ele, a recuperação judicial deixou a Azul com uma estrutura de capital mais saudável, eliminando a necessidade de uma combinação de negócios que era considerada antes do processo.
Renovação da Frota em Andamento
A companhia está em processo de modernização de sua frota. Nos próximos meses, a Azul receberá dois novos Airbus A330neo de fábrica, enquanto devolverá aeronaves mais antigas e com custos de arrendamento elevados. A troca deve se estender por aproximadamente seis meses.
Além dos widebodies, a empresa continuará a incorporar de cinco a seis aeronaves Embraer por ano e reativará três jatos que estavam parados por questões técnicas. Atualmente, a frota ativa da Azul soma 175 aeronaves.
Foco na Consolidação antes da Expansão
O CEO deixou claro que a expansão internacional será precedida por um período de consolidação. “Vamos continuar crescendo internacionalmente, mas isso será mais a partir de 2027, não em 2026”, afirmou Rodgerson. O foco imediato é a substituição de aeronaves, a reorganização da malha aérea e a preparação da base operacional e financeira para um crescimento sustentável.
Resultados da Recuperação Judicial
O processo de Chapter 11 nos EUA gerou resultados significativos para a saúde financeira da Azul:
- Redução de aproximadamente US$ 1,1 bilhão nas dívidas de empréstimos e financiamentos.
- Queda de cerca de 40% nas obrigações de arrendamento (aluguel) de aeronaves.
- Redução total de obrigações (dívidas e arrendamentos) em cerca de US$ 2,5 bilhões.
- Captação de US$ 850 milhões em novos investimentos de capital (equity).
- Redução de mais de 50% nos pagamentos anuais de juros.
Novos Sócios Estratégicos
Durante a coletiva, também foi confirmado que as companhias aéreas norte-americanas American Airlines e United Airlines terão, cada uma, 8% das ações da Azul. A participação é resultado dos aportes de US$ 100 milhões anunciados por cada uma em fevereiro. O acordo com a American ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).