A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada pelo Banco Central do Brasil (BC) em 18 de fevereiro de 2026, trouxe novamente à tona a figura de Augusto Ferreira Lima. Controlador da instituição desde julho de 2025 e ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Lima tem um histórico marcado por operações financeiras e conexões políticas.

Augusto Lima foi preso preventivamente pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. Sua trajetória está associada não apenas às investigações de fraudes envolvendo o Banco Master, mas também a nomes ligados ao governo federal.

Segundo apurações, o banqueiro é próximo a petistas da Bahia, como o ministro Rui Costa (Casa Civil) e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Sua notoriedade no mercado aumentou significativamente após a compra da rede de supermercados Cesta do Povo, durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).

Com essa aquisição, Lima também ficou com o controle do Credcesta – um cartão de benefícios voltado a servidores públicos municipais e estaduais. Inicialmente restrito à Bahia, o produto teve sua operação expandida para todo o país em parceria com o Banco Master.

De acordo com um requerimento da CPMI do INSS para quebra de sigilo bancário de Lima, a ampliação do Credcesta o transformou em um produto de crédito consignado “que se disseminou pelo país e passou a integrar carteiras negociadas com fundos de investimento e outras instituições financeiras”. O documento aponta que parte relevante desses créditos oferecidos a aposentados e pensionistas não foi devidamente informada às autoridades ou carecia de estrutura para operar dentro das regras.

Lima, que também foi CEO do Banco Master, adquiriu o controle do Banco Pleno em 2025, com autorização do BC concedida em julho daquele ano. Relatos indicam que foi ele quem procurou o ex-ministro Ricardo Lewandowski para contratá-lo como consultor jurídico do Banco Master, com intermediação de Jaques Wagner. Lima ainda participou de uma reunião de Daniel Vorcaro com o presidente Lula no final de 2024.

A Liquidação do Banco Pleno

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM). O conglomerado tinha participação mínima no sistema financeiro: cerca de 0,04% de todos os ativos do setor (aproximadamente R$ 7,6 bilhões) e 0,05% do total de captações (cerca de R$ 6,5 bilhões).

Segundo o BC, a medida foi adotada devido ao agravamento da situação econômico-financeira da instituição, que passou a ter dificuldades para cumprir suas obrigações, além de descumprimento de normas e determinações do próprio órgão regulador.

“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”, informou a autoridade monetária.

O BC afirmou que continuará apurando responsabilidades, o que pode resultar em sanções administrativas e envio de informações a outras autoridades. Com a liquidação, os bens dos controladores e administradores ficam indisponíveis.