A Receita Federal divulgou nesta terça-feira (24) que a arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas atingiu R$ 325,8 bilhões em janeiro de 2026. O montante representa o maior valor já registrado para o mês em toda a série histórica, iniciada em 1995, configurando um recorde de 32 anos.
Em termos reais, descontada a inflação, houve um crescimento de 3,56% na comparação com janeiro de 2025, quando foram arrecadados R$ 314,54 bilhões.
Fatores que Impulsionaram a Arrecadação
O desempenho recorde é atribuído ao crescimento da economia brasileira e a uma série de medidas de aumento de tributos implementadas nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os destaques do mês, conforme a Receita Federal, estão:
- IRRF-Rendimentos do Capital: Arrecadação de R$ 14,68 bilhões, com alta real de 32,56%, impulsionada pela tributação de Juros sobre o Capital Próprio.
- IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): R$ 8 bilhões arrecadados, registrando um crescimento real expressivo de 49,05%.
- Taxação de Apostas Online: O governo arrecadou R$ 1,5 bilhão com a tributação de plataformas de jogos de azar, as chamadas “bets”.
- Arrecadação Previdenciária: Totalizou R$ 63,45 bilhões, com alta real de 5,48%, influenciada pelo crescimento da massa salarial e do Simples Nacional.
- PIS/Pasep e Cofins: R$ 56 bilhões arrecadados, com aumento real de 4,35%, refletindo o crescimento no volume de vendas e serviços.
Outras Medidas Tributárias Relevantes
Além dos itens acima, a Receita Federal listou outras alterações tributárias que contribuíram para o resultado de janeiro:
- Tributação de fundos exclusivos (offshores).
- Mudanças na tributação de incentivos (subvenções) estaduais.
- Retomada da tributação de combustíveis.
- Imposto sobre encomendas internacionais.
- Reoneração gradual da folha de pagamentos.
- Fim de benefícios para o setor de eventos (Perse).
Meta Fiscal para 2026
O governo projeta utilizar o aumento da arrecadação para buscar o cumprimento da meta fiscal estabelecida para 2026, que é um superávit primário de 0,25% do PIB (cerca de R$ 34,3 bilhões). O arcabouço fiscal aprovado em 2023 permite uma margem de tolerância, considerando cumprida a meta com resultado entre zero e 0,5% do PIB (até R$ 68,6 bilhões).
No entanto, a regra permite a exclusão de R$ 57,8 bilhões em despesas (como precatórios) do cálculo. Na prática, isso pode resultar em um déficit efetivo de R$ 23,3 bilhões para os cofres públicos em 2026, mesmo com o resultado oficial dentro da meta. Caso se confirme, as contas do governo permanecerão negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Lula.