A arrecadação do governo federal alcançou um novo patamar histórico em 2025, totalizando R$ 2,88 trilhões em valores nominais. Corrigidos pela inflação, os recursos somaram R$ 2,93 trilhões, representando um aumento real de 3,65% em relação ao ano anterior e configurando o maior volume arrecadado em um ano fechado desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995.

O resultado reflete uma combinação de fatores, incluindo a expansão da atividade econômica e uma série de medidas fiscais implementadas pelo governo e aprovadas pelo Congresso. Entre as principais ações que impulsionaram a receita estão:

  • Tributação de fundos exclusivos e investimentos no exterior (offshores);
  • Mudanças na tributação de incentivos fiscais estaduais;
  • Manutenção do aumento de impostos sobre combustíveis;
  • Retomada do voto de qualidade no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf);
  • Limitação no pagamento de precatórios;
  • Imposto sobre encomendas internacionais;
  • Reoneração gradual da folha de pagamentos;
  • Fim de benefícios para o setor de eventos (Perse);
  • Aumento do IOF sobre operações de crédito e câmbio.

Dois tributos se destacaram pelo desempenho excepcional. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) arrecadou R$ 86,5 bilhões (valores corrigidos), um recorde em 31 anos com alta real de 20,5%, impulsionado por alterações legislativas e decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Já a taxação das apostas esportivas (bets) e loterias rendeu aproximadamente R$ 10 bilhões, um salto significativo em relação aos R$ 91 milhões de 2024.

Embora a alta arrecadação seja um elemento central para o equilíbrio das contas públicas, especialistas alertam para os desafios fiscais. O governo possui uma margem de tolerância no arcabouço fiscal e abatimentos aprovados, como despesas com precatórios e projetos estratégicos, que podem resultar em um déficit estimado de até R$ 75,4 bilhões em 2025 sem configurar um descumprimento formal da meta. O Tesouro Nacional projeta contas no vermelho até 2027, destacando a pressão contínua sobre a dívida pública.