Após um ano de crescimento, as exportações brasileiras de veículos iniciaram 2026 com um cenário externo menos favorável, marcado por uma forte retração na demanda argentina. No primeiro bimestre, os embarques totais caíram 28%, com 59,4 mil unidades vendidas, ante 82,4 mil no mesmo período de 2025.

A Argentina, tradicionalmente o principal destino das exportações do setor, que absorveu 59% dos embarques em 2025, registrou queda de 7,5% nas importações de veículos brasileiros entre janeiro e fevereiro. A retração no mercado vizinho foi compensada, em parte, por uma demanda inesperada do México, cujas compras saltaram de 2,2 mil para 9,1 mil unidades em fevereiro.

Dados da consultoria Abeceb indicam que as importações argentinas totais do Brasil caíram 26,5% em fevereiro, o maior declínio desde julho de 2024. O setor automotivo foi o mais impactado, respondendo por 74% da queda geral, com redução de US$ 284 milhões. As importações de caminhões recuaram 64,3%, seguidas por comerciais leves (-51,4%), automóveis (-43,6%) e peças e acessórios (-30,9%).

A queda nas compras de peças revela uma desaceleração na produção das fábricas argentinas, reflexo de incertezas sobre a capacidade do governo de Javier Milei em conter a inflação e honrar a dívida externa.

No Brasil, a retração nas exportações afetou a produção, que caiu 8,9% no primeiro bimestre, com 338 mil veículos fabricados. O mercado interno apresentou relativa estabilidade, com vendas de 355,7 mil unidades, uma leve queda de 0,1%. No entanto, a demanda por caminhões recuou 28,7%, indicando pouco efeito do programa Move Brasil, que oferece linhas de financiamento com juros subsidiados. Tensões no Oriente Médio, que impactam o preço do diesel e do frete, também contribuíram para a cautela dos transportadores.