A Argentina encerrou 2025 com uma inflação anual de 31,5%, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Este valor representa uma queda acentuada face aos 117,8% registados em 2024 e é o mais baixo desde 2017. Contudo, em dezembro, a inflação mensal acelerou para 2,8%, mantendo uma tendência de alta pelo quarto mês consecutivo.
O ano de 2025 foi marcado por um forte ajuste económico sob a presidência de Javier Milei, que incluiu cortes drásticos de subsídios e gastos públicos. Estas medidas, embora tenham contribuído para uma sequência de superávits orçamentais e uma redução da pobreza (de 52,9% para 31% no primeiro semestre), também geraram pressões inflacionárias iniciais.
O cenário tornou-se mais complexo no segundo semestre, com uma crise política desencadeada por um escândalo envolvendo a irmã do presidente. A instabilidade resultante levou a uma forte desvalorização do peso argentino, que perdeu quase 40% do seu valor face ao dólar ao longo do ano, pressionando novamente os preços.
Para conter a turbulência, o governo de Milei assegurou um acordo de swap cambial de 40 mil milhões de dólares com os Estados Unidos, administrado por Donald Trump. Este apoio, aliado a uma vitória do governo nas eleições legislativas de outubro, ajudou a estabilizar as expectativas e a conter a fuga de capitais.
Paralelamente, a Argentina reforçou o seu compromisso com o Fundo Monetário Internacional (FMI), obtendo um novo empréstimo de 20 mil milhões de dólares e iniciando uma flexibilização controlada dos rígidos controlos cambiais em vigor desde 2019.
O objetivo declarado do governo Milei permanece ambicioso: reduzir a inflação mensal para abaixo de 2%, condição considerada essencial para eliminar definitivamente os controlos de capitais e atrair investimentos de longo prazo para a economia argentina.