O governo argentino, liderado pelo presidente Javier Milei, manifestou o desejo de tornar o Mercosul mais flexível, permitindo que os países-membros negociem acordos comerciais de forma individual com nações fora do bloco. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, durante coletiva de imprensa para detalhar o novo acordo bilateral firmado com os Estados Unidos.
“Todos os acordos bilaterais são permitidos dentro do Mercosul”, afirmou Quirno, sinalizando uma mudança de postura que pode impactar as regras de negociação do bloco sul-americano. O anúncio ocorre no contexto da celebração de um tratado com os EUA que prevê redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos.
O acordo Argentina-EUA, anunciado na quinta-feira (5), tem foco especial em materiais críticos, alinhando-se à estratégia americana de reduzir a dependência da China no fornecimento de insumos essenciais para tecnologia, energia e defesa. Apesar disso, o ministro argentino garantiu que o tratado não impede a participação chinesa em investimentos no setor de mineração do país.
O documento estabelece cooperação e investimentos dos EUA em toda a cadeia produtiva argentina, desde a exploração até a exportação, e promete reduzir “barreiras comerciais de longa data”. Em contrapartida, a Argentina se compromete a zerar ou reduzir para cerca de 2% as tarifas de milhares de produtos americanos, além de abrir cotas isentas para itens como carne bovina e veículos.
Para entrar em vigor, o acordo necessita da conclusão dos trâmites legais internos em ambos os países, com vigência prevista para 60 dias após a confirmação formal. A iniciativa argentina de buscar maior autonomia nas negociações comerciais pode redefinir as dinâmicas dentro do Mercosul, bloco tradicionalmente baseado em consenso para acordos externos.