Em uma votação expressiva realizada na madrugada de quinta-feira (12), a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O placar de 203 votos a favor contra 42 contrários reflete um amplo apoio ao tratado, que agora segue para análise do Senado argentino.
O governo do presidente Javier Milei tem pressa. Ao enviar o acordo para o Congresso, solicitou que fosse tratado em sessões extraordinárias, visando uma ratificação célere. O objetivo é claro: tornar a Argentina o primeiro país do bloco a concluir o processo no Legislativo, garantindo acesso prioritário às cotas de exportação para produtos como carne bovina e assim obter uma vantagem inicial sobre o Brasil e outros parceiros.
Enquanto isso, no Brasil, a Câmara dos Deputados só deve iniciar o debate sobre a ratificação no dia 24 de fevereiro. A diferença no ritmo entre os dois maiores sócios do Mercosul evidencia a estratégia argentina de se posicionar na dianteira.
Do lado europeu, o caminho também apresenta nuances. O Parlamento Europeu enviou o texto integral para análise do Tribunal de Justiça da UE, um processo que pode levar dois anos. No entanto, a Comissão Europeia tem autoridade para aplicar provisoriamente o capítulo comercial do acordo, permitindo que os benefícios tarifários comecem a vigorar antes do veredicto final da Justiça europeia.
Fechado em 2025 após 25 anos de negociações, o acordo UE-Mercosul visa criar uma das maiores zonas de livre comércio do planeta. Para além do impacto econômico, o pacto carrega um peso geopolético significativo, ao buscar unir Europa e América do Sul como um contrapeso no cenário global marcado pela polarização entre Estados Unidos e China.
A aprovação argentina na Câmara é um passo decisivo, mas a corrida pela ratificação completa e pelos primeiros benefícios do acordo ainda está em curso.