As lideranças que apoiam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e governadores de direita estão apostando em um novo distanciamento entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente norte-americano, Donald Trump, devido à crise na Venezuela.
Para esses grupos, as críticas de Lula à postura dos EUA e sua proximidade com o regime de Nicolás Maduro poderiam abrir espaço para que Trump tomasse partido nas eleições brasileiras deste ano, favorecendo um candidato da direita e trabalhando contra o petista. A direita já explora nas redes sociais a relação de Lula com Maduro, lembrando que o brasileiro recebeu o líder venezuelano com tapete vermelho em visita ao Brasil.
A equipe do Palácio do Planalto refuta essa avaliação. Diplomatas e assessores presidenciais argumentam que, nas relações internacionais, divergências pontuais são normais e não significam um rompimento. Eles destacam que Trump tem interesses comerciais no Brasil e que Lula pretende manter os canais de negociação abertos com o presidente dos EUA.
Como exemplo histórico, assessores citam o governo de George W. Bush, quando Lula criticou a invasão do Iraque, mas manteve uma das melhores relações de seu mandato com um presidente americano. A avaliação interna é que interesses comuns e a boa química entre os líderes têm condições de prevalecer.
O cenário político se desenrola enquanto um texto do jornal americano The New York Times afirma que esforços de Trump para manter Bolsonaro fora da prisão foram inúteis e que Lula saiu “mais forte politicamente” do episódio.
Fonte: G1 – Blog do Valdo Cruz