A economia do Espírito Santo enfrenta um desafio crítico: um crescente “apagão de mão de obra” que se tornou uma barreira significativa para o crescimento. Um estudo recente da Federação das Indústrias do estado (Findes) revela que vagas de emprego permanecem abertas devido à escassez de trabalhadores qualificados, um problema que afeta todos os setores produtivos.

Segundo Marília Silva, gerente executiva do Observatório Findes, três fatores principais convergem para criar este cenário: novas tendências do mercado de trabalho, uma economia aquecida e problemas estruturais persistentes.

Novas Tendências do Mercado de Trabalho

A transformação digital exige uma requalificação massiva da força de trabalho para lidar com processos modernizados. Paralelamente, o envelhecimento da população cria uma demanda por serviços específicos e requer a absorção de trabalhadores mais velhos, que também precisam de capacitação.

“Se há uma escassez de mão de obra e uma população que está envelhecendo e disponível para trabalhar, é preciso passar, mais uma vez, por uma requalificação”, afirma Marília Silva.

Além disso, a Geração Z ingressa no mercado com novas expectativas, valorizando propósito, diversidade e, especialmente, flexibilidade – uma demanda amplificada pela experiência do home office durante a pandemia.

Economia Aquecida e Baixo Desemprego

Com uma economia robusta e uma taxa de desemprego de apenas 2,6%, a competição por talentos é acirrada. “Eu procuro o trabalhador, mas ele já está empregado. Seja no mercado formal, cuja demanda está alta, seja no mercado informal”, explica a gerente.

A alta informalidade, que atinge quase metade dos ocupados, muitas vezes atrai trabalhadores com ofertas de maior flexibilidade e pagamento rápido, levantando questionamentos sobre a adequação dos modelos formais de contratação atuais.

Problemas Estruturais Profundos

O estudo aponta que a maioria das pessoas fora da força de trabalho é composta por mulheres, jovens ou pessoas acima de 60 anos com baixa escolaridade. Obstáculos como afazeres domésticos, questões de saúde e falta de qualificação impedem que essa parcela da população se converta em mão de obra disponível.

“É um casamento entre política pública, que permita que a população coloque o seu trabalho à disposição, e a disposição do empresariado de estar atento a essas tendências”, defende Marília Silva.

A solução, segundo a especialista, vai além de bons salários. É crucial que as empresas ofereçam planos de carreira, oportunidades de qualificação e estejam abertas a atender as novas demandas dos trabalhadores, criando um ambiente que atraia e retenha talentos em um mercado cada vez mais competitivo.