A Agência Nacional do Petróleo (ANP) decretou a interdição total da Refit (antiga Refinaria de Manguinhos) após identificar um cenário de “risco grave e iminente” em relatórios técnicos. A fiscalização utilizou a metáfora da “Teoria do Queijo Suíço” para descrever como múltiplas falhas se alinharam, criando uma trajetória direta para o desastre.
Entre as irregularidades mais graves, a ANP descobriu um tanque de grande porte que era “invisível” para o sistema de segurança. O tanque F-201B, com capacidade para 22 milhões de litros de nafta e petróleo, foi completamente desconsiderado nos cálculos do Sistema Fixo de Combate a Incêndio (SFCI).
Ao incluir essa estrutura no projeto de combate a chamas, os fiscais detectaram um déficit brutal: para apagar um incêndio neste tanque, seriam necessários 832 milímetros cúbicos de água por hora, mas o sistema atual só consegue fornecer 516 milímetros cúbicos por hora – uma deficiência de quase 40%.
O relatório técnico também alerta para riscos humanos inaceitáveis. O plano de emergência atual enviaria 19 brigadistas para uma posição onde a radiação térmica atingiria 18,1 kW/m², quase o dobro do limite de segurança de 9,46 kW/m² suportado pelos equipamentos de proteção.
A Refit já estava sob investigação pela Operação Poço de Lobato, que descobriu um sofisticado esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Segundo a Receita Federal, o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em um ano utilizando empresas offshore em paraísos fiscais, com prejuízo estimado em R$ 26 bilhões aos cofres públicos.
A refinaria não se manifestou sobre as acusações até o fechamento desta reportagem.