A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concedeu autorização para que a Petrobras retome as atividades de perfuração de um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas. A operação havia sido interrompida em janeiro após um vazamento de fluido de perfuração.

Em ofício, a ANP declarou que, após análises técnicas e considerando as medidas mitigadoras propostas pela estatal, “concluiu-se não haver óbice ao retorno das atividades de perfuração no referido poço”. A autorização, no entanto, está sujeita a condições específicas, como a substituição de todos os elementos de vedação nas conexões da tubulação e o treinamento de toda a equipe envolvida.

Contexto da Interrupção

A Petrobras suspendeu a perfuração em 6 de janeiro após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares que conectam o navio-sonda ao poço Morpho, localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá. O vazamento, detectado no dia 4, foi imediatamente contido e isolado. A operação foi paralisada para que as tubulações fossem levadas à superfície, avaliadas e reparadas.

O material liberado foi o fluido de perfuração (conhecido como “lama”), utilizado para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço. Segundo a Petrobras e o Ibama, o fluido é à base de água, com aditivos de baixa toxicidade, biodegradável e não houve vazamento de petróleo. O órgão ambiental foi comunicado sobre o incidente.

A Exploração na Foz do Amazonas

A atividade na região foi autorizada pelo Ibama em outubro de 2025, exclusivamente para pesquisa exploratória. A perfuração ocorre no bloco FZA-M-059, em águas profundas. Esta fase tem previsão de durar cerca de cinco meses e visa coletar dados geológicos para verificar a presença de hidrocarbonetos em escala comercial. Não há produção de petróleo nesta etapa.

A região da Margem Equatorial, onde se localiza a Foz do Amazonas, é considerada uma nova fronteira exploratória. O governo federal estima que a área possa abrigar reservas que permitiriam uma produção de até 1,1 milhão de barris de petróleo por dia, volume superior ao dos principais campos da Bacia de Santos. Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam para um volume recuperável de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente na bacia.

A exploração na área é alvo de fortes críticas de grupos ambientalistas, enquanto especialistas do setor energético destacam seu potencial estratégico para a segurança energética e a economia do país.