Os novos contratos de aluguéis residenciais registraram um aumento médio de 9,44% em 2025, segundo o Índice FipeZAP divulgado nesta quinta-feira (15). O valor representa mais que o dobro da inflação oficial do país, medida pelo IPCA, que fechou o ano em 4,26%. A alta real dos aluguéis, descontada a inflação, foi de 4,97%.

Embora o avanço tenha sido 4,06 pontos percentuais menor que o registrado em 2024 (13,50%), o setor segue aquecido. A economista Paula Reis, do Grupo OLX, atribui o desempenho à vitalidade da economia e ao mercado de trabalho forte, que mantêm o poder aquisitivo da população e viabilizam reajustes acima da inflação. A taxa de desemprego de 5,2% no trimestre até novembro é a menor da série histórica iniciada em 2012.

Segundo a especialista, o cenário de reajustes superiores à inflação deve continuar no primeiro semestre de 2026, porém em ritmo decrescente. Dois fatores contribuem para isso: o aumento do salário mínimo acima da inflação e as mudanças no Imposto de Renda, que preveem isenção para rendimentos de até R$ 5 mil e desconto progressivo para quem ganha até R$ 7.350.

Capitais com maiores altas

O FipeZAP monitora o preço médio de locação de apartamentos prontos em 36 cidades. Apenas duas registraram queda em 2025: Campo Grande (MS), com recuo de 4,36%, e São José (SC), com redução de 3,10%.

Entre as capitais, as maiores altas foram registradas em:

  • Teresina (PI): 21,81%
  • Belém (PA): 17,62%
  • Aracaju (SE): 16,73%
  • Vitória (ES): 15,46%

Teresina lidera o ranking geral de aumento.

Preço médio do aluguel por m²

O preço médio dos novos contratos nas 36 cidades analisadas é de R$ 50,98 por metro quadrado (dados de dezembro). Para um apartamento de 50 m², o custo médio mensal é de R$ 2.549, um acréscimo de R$ 143 em relação a 2024 (R$ 2.406).

Cidades mais caras:

  • Barueri (SP): R$ 70,35/m² (custo médio para 50m²: R$ 3.517,50)
  • Belém (PA): R$ 63,69/m² (lidera entre as capitais)
  • São Paulo (SP): R$ 62,56/m²
  • Recife (PE): R$ 60,89/m²

Cidade mais barata: Pelotas (RS), com o metro quadrado a R$ 22,42 em média.

O cenário indica uma pressão contínua no custo de vida relacionado à moradia, com reajustes que superam significativamente a inflação geral, impactando diretamente o orçamento das famílias brasileiras.