A escalada dos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, representa um desafio político significativo para o presidente Donald Trump às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para novembro.
Desde o início das hostilidades, o barril de petróleo atingiu patamares superiores a US$ 120, pressionando os custos da gasolina e do diesel no mercado interno americano. Essa pressão inflacionária em cascata pode ampliar a insatisfação do eleitorado, especialmente entre os indecisos em estados-chave.
Uma pesquisa Ipsos/Reuters indica que 67% dos americanos acreditam que os preços dos combustíveis subirão no próximo ano devido à guerra. Esse cenário econômico desfavorável ocorre num momento em que o governo Trump tentava sustentar uma narrativa de economia forte e energia acessível.
Especialistas apontam que o aumento no custo da energia funciona como um “imposto” sobre as famílias, comprimindo a renda disponível e impactando principalmente eleitores de média e baixa renda. “Isso acaba transformando o preço da energia em uma espécie de termômetro imediato do eleitor, sobretudo em um ano eleitoral”, analisa Thiago de Aragão, da Arko Internacional.
A resistência inesperada das forças iranianas e o uso do Estreito de Ormuz como ferramenta de pressão geopolítica surpreenderam Washington, que agora recalcula sua estratégia. Enquanto tenta conter os preços com medidas como a liberação de reservas estratégicas e o afrouxamento temporário de sanções, a administração Trump enfrenta o risco de ver sua maioria no Congresso ameaçada.
Com margens estreitas na Câmara e no Senado, uma eventual perda de apoio nas urnas em novembro poderia dificultar a aprovação da agenda presidencial e até abrir caminho para investigações contra o mandatário. O resultado dessas eleições será crucial não apenas para os dois anos finais do governo, mas também para moldar o cenário que levará à disputa presidencial de 2028.