A divergência no seio da família Bolsonaro sobre o apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro tornou-se mais evidente e envolve também aliados próximos do clã.

Michelle Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) eram favoráveis à candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Com a desistência do governador de São Paulo da corrida presidencial, a dupla optou por não se envolver ativamente na campanha do filho mais velho do ex-presidente.

A decisão de manterem-se afastados e de não manifestarem publicamente apoio a Flávio tem causado irritação em seu irmão, Eduardo Bolsonaro.

Nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado e impossibilitado de concorrer nas próximas eleições, Eduardo vê o seu capital político dependente da preservação do legado deixado pelo pai.

A tensão familiar escalou recentemente após novas declarações de Eduardo sobre a madrasta e o deputado mineiro. O filho 03 de Bolsonaro criticou Michelle e Nikolas, acusando-os de “amnésia” e de “jogar o mesmo jogo” em relação a Flávio, que em dezembro anunciou ter sido o escolhido pelo pai para sucedê-lo na disputa presidencial.

Nikolas Ferreira, que visitou Bolsonaro na Papudinha neste fim de semana, respondeu ao ex-deputado, negando as acusações de amnésia. “Discordo que eu tenha amnésia e que a Michelle tem amnésia. Diante das situações que estão acontecendo, nós temos o pai dele preso, sofrendo dificuldades de saúde. E a prioridade é nos atacar. Então, isso diz muito mais sobre eles do que sobre mim”, afirmou.

Neste contexto, a discórdia familiar transformou-se numa fratura exposta no campo político da direita.