Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), receberam com ceticismo o anúncio do Progressistas (PP) de que avalia lançar um candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes em 2026. A movimentação é vista internamente como um aceno ao pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e uma pressão por mais espaço na política estadual.
Segundo interlocutores do governo paulista ouvidos pelo blog, integrantes da gestão foram pegos de surpresa pela declaração do partido. A avaliação é de que o anúncio serve para sinalizar a Flávio Bolsonaro a possibilidade de uma vice na chapa nacional, além de buscar mais cargos e emendas orçamentárias. O projeto, no entanto, deve enfrentar resistência dentro da federação partidária que o PP mantém com o União Brasil.
Dirigentes do PP relataram que a relação com o governo Tarcísio está desgastada e que há cobranças de prefeitos e deputados estaduais da legenda por uma candidatura própria. Entre as razões citadas estão o descontentamento com a interlocução com o Palácio dos Bandeirantes e a estratégia de ter um palanque estadual mais alinhado ideologicamente a Flávio Bolsonaro.
O movimento também é visto como uma forma de fortalecer a bancada do partido. Atualmente, o PP tem quatro deputados federais por São Paulo e ambiciona elevar esse número. A avaliação interna é que um candidato com perfil mais ideológico poderia ser mais estratégico para angariar votos, mas o plano só seguirá adiante se surgir um nome viável e com bom desempenho em pesquisas de intenção de voto.
Entre os nomes ventilados estão Filipe Sabará, ex-secretário de Desenvolvimento Social e aliado de Flávio Bolsonaro, e o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP). Contatado, Salles agradeceu a consideração, mas afirmou manter-se firme na decisão de concorrer a uma vaga no Senado. Outra possibilidade mencionada nos bastidores é a do ex-governador Rodrigo Garcia, mas aliados ponderam que, apesar de ter disposição para uma nova disputa majoritária, ele não enfrentaria Tarcísio ou o prefeito Ricardo Nunes (MDB), caso este também seja candidato.
Atualmente, o PP não integra o alto escalão do governo Tarcísio. O deputado federal e ex-secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, deixou a gestão em novembro. O secretário da Casa Civil, Arthur Lima, desfiliou-se do partido em 2024. Na eleição de 2022, o PP compôs a coligação de Rodrigo Garcia no primeiro turno, declarando apoio a Tarcísio no segundo turno.
Apesar da convicção de Flávio Bolsonaro em concorrer à Presidência, há integrantes do partido que ainda veem Tarcísio como o melhor nome nacional. No entanto, ponderam que ainda é cedo para mensurar o impacto do apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro ao filho e de um eventual distanciamento em relação ao governador paulista.
Fonte: G1 – Blog do Octavio Guedes