Com os sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, quebrados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pela CPMI do INSS, interlocutores do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm articulado uma defesa política do governo. Paralelamente, no campo jurídico, sustentam a inexistência de provas concretas contra ele.

“Importante destacar que o presidente Lula deixa a Polícia Federal investigar”, afirmou uma fonte próxima a Lulinha ao g1. Este argumento tornou-se recorrente entre políticos da base governista, que buscam diferenciar a postura de Lula da do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Questionado sobre as suspeitas, um deputado federal do PT respondeu que, no governo anterior, “o presidente trocava delegados da Polícia Federal (PF) para defender a família”, em referência a denúncias feitas contra Bolsonaro.

A defesa política ganhou intensidade após a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha, o que aumentou a pressão sobre o governo. O advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori Santos, solicitou acesso ao inquérito que investiga fraudes no INSS, que tramita no STF sob relatoria do ministro André Mendonça.

A CPMI do INSS quebrou os sigilos de Lulinha em uma sessão tumultuada. Posteriormente, soube-se que Mendonça já havia autorizado as quebras em janeiro, atendendo a um pedido da PF.

As Suspeitas

As investigações envolvem Lulinha, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS) e a empresária Roberta Luchsinger. A PF identificou cinco pagamentos de R$ 300 mil de uma empresa do Careca para uma empresa de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão, com suspeita de desvio de aposentadorias.

Em mensagens de WhatsApp, o Careca refere-se a um dos pagamentos como sendo “para o filho do rapaz”. Um ex-funcionário do lobista depôs à PF afirmando que o Careca dizia pagar uma mesada de R$ 300 mil a Lulinha para que este ajudasse a empresa World Cannabis a vender produtos de canabidiol ao Ministério da Saúde.

Outra troca de mensagens entre Roberta e o Careca menciona um envelope com o nome “Fábio” e ingressos para um show, apreendido em uma operação policial anterior, o que gerou preocupação entre os envolvidos.

Argumentos da Defesa

Interlocutores de Lulinha consideram “improvável” a alegação de pagamento de mesada. Amigos confirmam que Lulinha é amigo de Roberta Luchsinger, que por sua vez é amiga próxima de sua esposa, e também de outro investigado, Gustavo Gaspar.

A defesa e os aliados negam que Lulinha tenha recebido qualquer quantia do Careca para atuar como lobista no Ministério da Saúde ou na Anvisa, direta ou indiretamente. O advogado Marco Aurélio Carvalho, do Grupo Prerrogativas, lembrou que Lulinha já foi alvo de fake news no passado.

O advogado de Roberta Luchsinger, Bruno Salles, confirmou que ela recebeu pagamentos do Careca, mas afirmou que os valores eram lícitos, referentes a serviços de relações institucionais, e não foram repassados a Lulinha. Salles também argumentou que as mensagens de WhatsApp apreendidas estão “completamente fora de contexto”.