A Alemanha enfrenta um grave déficit de trabalhadores qualificados, com milhares de vagas em setores como saúde, educação e tecnologia. Enquanto a geração baby boomer se aposenta, o país busca atrair cerca de 300 mil profissionais por ano para manter sua economia.
Em Chennai, na Índia, enfermeiras como Ramalakshi aprendem alemão em ritmo acelerado, financiadas pelo governo de Tamil Nadu, com o objetivo de trabalhar na Alemanha e melhorar suas condições de vida.
No entanto, imigrantes qualificados enfrentam uma burocracia lenta e complexa. Zahra, uma pesquisadora iraniana, aguardou quase um ano para converter seu visto de estudante em visto de trabalho, mesmo sendo fluente em alemão e atuando em universidades.
O advogado de imigração Björn Maibaum alerta que a falta de pessoal nas autoridades alemãs causa atrasos de meses ou até um ano nos processos, prejudicando a competitividade do país na atração de talentos globais.
Além dos desafios burocráticos, o sentimento antiestrangeiro e casos de racismo preocupam profissionais como Kayalvly Rajavil, uma enfermeira indiana que trabalha na Clínica BDH em Vallendar. Apesar do apoio dos colegas, a adaptação cultural e a saudade de casa são obstáculos para a retenção desses profissionais.
Para agilizar a contratação, a Clínica BDH criou um programa de estágio para jovens indianos, evitando o longo processo de reconvalidação de diplomas. Jörg Biebrach, chefe de enfermagem, defende maior agilidade nas leis de imigração e uma cultura mais acolhedora.
A Alemanha, que já dependeu de gastarbeiter (trabalhadores convidados) para seu “milagre econômico” pós-guerra, agora precisa reinventar sua política de imigração para enfrentar a escassez de mão de obra e manter sua prosperidade.