O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta quarta-feira (4) que “alguns insistem em narrativas de disputas entre os poderes”, mas que as instituições brasileiras estão unidas por propósitos comuns e precisam ser defendidas “para que mentiras não pareçam verdades”.

A declaração foi dada durante cerimônia no Palácio do Planalto para lançamento de um pacto dos Poderes contra o feminicídio, que contou com as presenças dos presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva; da Câmara, Hugo Motta; e do Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin.

“Alguns insistem em criar narrativas de disputa entre os Poderes, mas quero reafirmar: as instituições brasileiras estão unidas em propósitos como este [do enfrentamento ao feminicídio]”, disse Alcolumbre. “A defesa das instituições carece ser propagada, propalada para que mentiras não pareçam verdade.”

O senador completou: “As mentiras em um certo momento se transformaram em verdade. Esse ato, proposto pela primeira-dama Janja da Silva e abraçado por todos, é uma demonstração que as instituições precisam estar unidas porque os problemas do mundo real não nos permitirão tirar o foco do que é principal para o Brasil.”

A fala ocorre dois dias após discurso do próprio Alcolumbre no Congresso, durante a abertura do ano legislativo, no qual defendeu a autonomia do Legislativo e afirmou que a busca por harmonia entre os Poderes não significa abrir mão de suas prerrogativas – declarações vistas como indiretas ao governo.

O contexto político recente tem sido marcado por atritos entre Executivo e Legislativo, motivados por interesses opostos em temas como as regras para pagamento de emendas parlamentares. Alcolumbre também deixou claro que não apoia a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para uma vaga no STF.

Apesar das diferenças pontuais, o presidente do Senado buscou, no evento desta quarta, projetar uma imagem de unidade institucional em torno de causas consideradas prioritárias, como o combate à violência contra a mulher.