O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (15) que uma eventual sanção do governo dos Estados Unidos a países que têm relações comerciais com o Irã não deve afetar o mercado brasileiro de forma significativa.

Na última segunda-feira (12), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que vai impor uma punição a países que fizerem negócios com o Irã, em meio à escalada de tensão entre os dois países. A decisão, no entanto, ainda não foi formalizada.

“Estados Unidos colocou que não quer que haja comércio com o Irã, mas o Irã tem 100 milhões de pessoas. A maioria dos países tem algum tipo de exportação [com o país do Oriente Médio], a nossa relação comercial com o Irã é pequena”, afirmou Alckmin, durante o programa Bom Dia Ministro.

Alckmin também defendeu que o Brasil não mantém “litígio com ninguém” e avaliou que possíveis tarifas comerciais tendem a afetar de forma mais contundente outros países, inclusive grandes nações europeias.

Ele prosseguiu: “Acho que a questão da supertarifação é difícil de ser aplicada. Teria que aplicar em mais de 70 países do mundo [que também fazem comércio com o regime iraniano]”.

Definição sobre tarifa

Questionado sobre um eventual impacto nas relações comerciais do Brasil, Alckmin ponderou que ainda não há definição sobre a aplicação de uma eventual tarifa de 25%, e quais produtos poderiam ser atingidos.

“Não sabemos se esses 25% seriam para tudo ou apenas para alguns produtos, nem que tipo de comércio está envolvido. A maioria dos países do mundo mantém relações comerciais. Ainda não existe ordem executiva, então não se sabe exatamente como isso poderá ocorrer”, disse.

O vice-presidente também ressaltou que o tema está sendo tratado diretamente pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Itamaraty. Pelo MDIC, segundo ele, o governo trabalha para ampliar o comércio exterior e reduzir barreiras.

“O Brasil prioriza o comércio exterior. No sábado, haverá a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, e vamos atuar para que não haja tributação no caso do Irã e não é só para nós, mas para o mundo. Esse diálogo está sendo conduzido com o Itamaraty, mas ainda não temos uma ordem executiva”, afirmou.

Relação comercial com o Brasil

Nas exportações, o Irã ocupou a 11ª posição entre os países para os quais o agro brasileiro mais vendeu em 2025, conforme o Agrostat, banco de dados do Ministério da Agricultura.

O país respondeu por 1,73% das exportações do agro no ano passado, somando US$ 2,9 bilhões, e se colocou próximo de clientes como Japão, Egito, Turquia, Indonésia, Índia e México.

Já nas importações, o Irã é apenas o 42º maior fornecedor de produtos ligados ao agro para o Brasil, segundo o Agrostat. Mas é um importante exportador mundial de ureia, um fertilizante.