O setor agropecuário foi o grande destaque da economia brasileira em 2025, registrando um crescimento robusto de 11,7% em relação ao ano anterior. Este desempenho excepcional foi fundamental para impulsionar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que fechou o ano com uma expansão de 2,3%, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A agropecuária superou amplamente os demais setores: a indústria avançou 1,4% e os serviços, 1,8%. Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, o agro foi responsável por 33% de todo o crescimento econômico do país no período, sendo a atividade que mais contribuiu para o resultado positivo do PIB.

O forte desempenho foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo colheitas recordes de grãos, especialmente soja e milho, e um excelente ano para a pecuária. Em 2025, o Brasil colheu a maior safra de grãos da sua história, totalizando 350,2 milhões de toneladas. A produção de milho cresceu 23,6%, enquanto a de soja aumentou 14,6%.

Um marco histórico foi alcançado na pecuária: o Brasil se tornou o maior produtor mundial de carne bovina, ultrapassando os Estados Unidos pela primeira vez. As exportações do setor bateram recorde, com 3,50 milhões de toneladas vendidas ao exterior, um aumento de 20,9% em relação a 2024.

As condições climáticas favoráveis, a ausência de grandes intempéries que prejudicassem as safras, custos de produção menores e ganhos de produtividade foram apontados por especialistas, como Juliana Trece da FGV Ibre, como os motores deste crescimento. Além disso, a guerra comercial entre EUA e China redirecionou parte da demanda chinesa de soja para o Brasil, contribuindo para um recorde de exportações do grão: 108,2 milhões de toneladas, alta de 9,5%.

Apesar do crescimento expressivo, é importante notar que, na metodologia do IBGE, que considera apenas as atividades primárias (plantio e criação), a agropecuária tem um peso de 7,1% no PIB, ficando atrás dos serviços (69,5%) e da indústria (23,4%). No entanto, quando se incluem os serviços, comércio e indústrias vinculados ao setor, esse peso salta para cerca de 23% da economia, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA).

Para 2026, as perspectivas são de uma desaceleração. O Ibre projeta uma leve queda de 0,2% para o setor, sinalizando estabilidade após um ano excepcional. Espera-se que a produção de soja cresça a um ritmo menor (3,9%) e a de milho sofra uma retração (-5,6%). Na pecuária, há uma tendência de os produtores retiverem mais matrizes para reprodução, o que deve reduzir o volume de abates em relação ao recorde de 2025.

Contudo, visões como a da consultoria Hedgepoint são mais otimistas, prevendo que as exportações de grãos continuarão a crescer e que a safra de soja deve bater novo recorde, estimado em 179,5 milhões de toneladas, o que poderia ampliar ainda mais a participação do agro na economia brasileira.