O termo ‘enófilo’ pode soar clássico, mas é a descrição perfeita para Eduardo Milan. Aos 49 anos, este advogado que se transformou num dos mais respeitados críticos de vinho do Brasil possui um currículo impressionante: prova cerca de 8.000 vinhos anualmente, totalizando uma estimativa de 120 mil rótulos degustados ao longo de mais de 25 anos de dedicação à bebida.

A sua transição da advocacia para o mundo da enologia não foi um acaso, mas o resultado de uma paixão profunda que se transformou em expertise. Milan começou a estudar vinhos de forma autodidata, mergulhando em livros, cursos e, sobretudo, na prática constante da degustação. O que começou como um hobby intenso evoluiu para uma segunda carreira, onde o seu paladar treinado e conhecimento jurídico – útil para entender regulamentações e denominações de origem – se complementam de forma única.

O volume de degustações é astronómico, mas Milan enfatiza que a quantidade nunca substituiu a busca pela qualidade e pela compreensão. Cada prova é um exercício de análise, registando aromas, sabores, texturas e a história por trás de cada garrafa. Esta disciplina metódica permitiu-lhe construir um arquivo mental e físico incomparável, tornando-o uma referência para produtores, importadores e entusiastas.

Apesar do número impressionante de vinhos já provados, a chama da paixão permanece acesa. Para Eduardo Milan, cada nova garrafa representa uma descoberta, uma nova região a explorar ou uma nuance diferente de um vinhedo familiar. A sua história é um testemunho de como a dedicação pode transformar um interesse pessoal numa autoridade reconhecida, provando que, no mundo do vinho, a sede de conhecimento é tão importante quanto o paladar.

Fonte: Folha de S.Paulo