O Parlamento Europeu votou, nesta quarta-feira (21), pela paralisação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão, aprovada por 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções, impede a entrada imediata em vigor do pacto e encaminha os seus termos para uma revisão de legalidade no Tribunal de Justiça da União Europeia.
A medida gerou reações imediatas de líderes políticos europeus, que se manifestaram na rede social X (antigo Twitter).
Friedrich Merz, chefe de governo da Alemanha, classificou a decisão como “lamentável” e uma avaliação errada da situação geopolítica. “Estamos convencidos da legalidade do acordo. Chega de atrasos. O acordo deve agora ser aplicado provisoriamente”, defendeu.
Do lado francês, o ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, afirmou que o Parlamento “agiu em consonância” com a posição defendida pela França. “A França está disposta a dizer não quando necessário, e a história muitas vezes comprova isso. A luta continua para proteger a nossa agricultura e garantir a nossa soberania alimentar”, escreveu. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, respondeu que se tratou de uma “votação importante” que deve ser respeitada.
Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, compartilhou uma publicação do grupo “Patriotas pela Europa”, que celebra a decisão como uma vitória contra “lobistas globalistas” e em defesa dos agricultores e trabalhadores europeus. O texto afirma que os votos do grupo “mudaram o jogo” e que a palavra final caberá agora à Justiça europeia.
O acordo, que encerrou mais de 25 anos de negociações, foi celebrado simbolicamente por líderes de ambos os blocos em Assunção, Paraguai, no início deste mês. A sua ratificação definitiva, no entanto, enfrenta agora um novo e significativo obstáculo jurídico e político.