Após mais de um quarto de século de negociações, a União Europeia aprovou, em 2026, o acordo comercial com o Mercosul. Esta decisão histórica abre caminho para a criação da maior área de livre comércio do mundo, sujeita ainda à ratificação pelos parlamentos europeu e nacionais de ambos os blocos. O processo, iniciado nos anos 90, foi marcado por avanços, impasses e profundas transformações geopolíticas.
1991-1995: As Bases de uma Parceria
A fundação do Mercosul em 1991, pelo Tratado de Assunção, rapidamente atraiu a atenção da União Europeia, que via no bloco sul-americano um parceiro estratégico. Em 1995, os dois blocos assinaram o Acordo-Quadro de Cooperação Inter-regional, estabelecendo as bases políticas e econômicas para o futuro diálogo, num contexto em que a proposta da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), liderada pelos EUA, também ganhava relevo.
1999-2010: Início e Paralisia das Negociações Comerciais
As negociações comerciais formais começaram em 1999, organizadas em três pilares: diálogo político, cooperação e livre comércio. Desde o início, os impasses foram evidentes, centrando-se nos subsídios agrícolas europeus e na abertura do setor industrial do Mercosul. Em 2004, as tratativas atingiram um ponto crítico, com cada bloco a criticar as barreiras do outro. Entre 2004 e 2010, o processo ficou praticamente paralisado devido a divergências internas e mudanças políticas em ambos os continentes.
2016-2019: Novo Impulso e Conclusão Técnica
O diálogo foi retomado com força em 2016, impulsionado pelo interesse europeu em novos acordos e pelas transformações no comércio global. Nesta fase, foram definidos capítulos cruciais sobre tarifas, serviços e propriedade intelectual. Em 2019, os blocos anunciaram a conclusão técnica do acordo, que previa a eliminação gradual de tarifas para cerca de 90% do comércio bilateral. Contudo, críticas ambientais e resistências políticas na Europa impediram a sua ratificação imediata.
2020-2026: O Desafio Ambiental e a Aprovação Final
Entre 2020 e 2022, a UE intensificou as exigências de compromissos ambientais, relacionados ao combate ao desmatamento e ao Acordo de Paris. Em 2023, foi apresentado um instrumento adicional sobre o tema, aceite parcialmente pelo Mercosul, que criticou cláusulas de sanções unilaterais. Após consolidação do texto em 2024, a aprovação final em 2026 superou a resistência de países europeus com setores agrícolas fortes, como a França e a Irlanda, permitindo a aprovação provisória do acordo.
Fonte: G1