Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) está na fase final. Este tratado histórico, que envolve um mercado de 720 milhões de pessoas, promete transformar as relações comerciais e ter efeitos palpáveis no dia a dia dos brasileiros, desde o supermercado até a indústria.

O principal objetivo é facilitar as trocas, reduzindo e eliminando gradualmente as tarifas de importação entre os blocos. Estima-se que o Brasil seja o país mais beneficiado, com um potencial de aumento do PIB de 0,46% até 2040, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O que fica mais barato para o consumidor?

A mudança mais direta será a maior oferta e a redução gradual de preços de produtos europeus no mercado brasileiro. Itens do cotidiano devem se tornar mais acessíveis:

  • Alimentos e bebidas: Vinhos, queijos, lácteos, azeite, chocolate e algumas bebidas destiladas.
  • Bens duráveis: Carros importados da Europa, que hoje têm uma tarifa de 35%, terão essa taxa zerada em até 15 anos.
  • Produtos farmacêuticos: Medicamentos (inclusive veterinários), que já são uma das principais importações da UE, devem ter custos reduzidos.

Especialistas alertam que a queda de preços não será imediata. Para produtos complexos, como automóveis, que dependem de cadeias globais de suprimentos, o barateamento pode levar de dois a três anos para chegar ao consumidor final.

Efeitos na produção e no agronegócio

Os benefícios vão além das prateleiras. O acordo deve baratear insumos e tecnologias essenciais para a indústria e o campo brasileiros:

  • Tecnologia agrícola: Máquinas, tratores, fertilizantes, drones e sistemas de agricultura de precisão importados da UE ficarão mais baratos, reduzindo custos para produtores de todos os portes.
  • Modernização industrial: Acesso a bens manufaturados e tecnologias europeias a custos menores pode estimular investimentos e aumentar a competitividade da indústria nacional.
  • Mais empregos: A professora Regiane Bressan, da Unifesp, destaca que exportar produtos com maior valor agregado para a UE tende a gerar mais empregos do que a venda de commodities para outros mercados, dinamizando a indústria local.

Exportações brasileiras: oportunidades e equilíbrio

O acordo também abre portas para produtos brasileiros na Europa. Calçados (com tarifas de 3% a 7%) terão taxas zeradas em até quatro anos, e frutas como a uva (taxada em 14%) terão acesso imediato livre de tarifas. A ApexBrasil projeta um aumento de R$ 7 bilhões nas exportações nacionais.

Embora haja a preocupação de que o aumento das exportações possa reduzir a oferta interna e pressionar preços, analistas consideram esse risco baixo. Setores tendem a encontrar mercados substitutos rapidamente, e os efeitos macroeconômicos sobre a inflação devem ser pequenos no curto prazo.

Para o pesquisador Leonardo Munhoz, da FGV, os ganhos serão em cascata, beneficiando toda a cadeia produtiva, desde grandes exportadores até pequenos e médios produtores que dependem de tradings para acessar o mercado europeu.

Em resumo, o acordo UE-Mercosul representa uma oportunidade de integração econômica com impactos positivos tanto para o bolso do consumidor, que terá acesso a produtos mais baratos e variados, quanto para a produtividade e competitividade da economia brasileira.

Fonte: G1