A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, após mais de 25 anos de negociações, promete redefinir as relações comerciais entre os dois blocos. Para o consumidor brasileiro, as mudanças serão sentidas no dia a dia, com impacto direto no bolso e na oferta de produtos.
O acordo prevê a redução ou eliminação gradual das tarifas de importação, que hoje incidem sobre mais de 90% do comércio total. Isso significa que produtos europeus, antes mais caros devido aos impostos, devem chegar ao mercado brasileiro com preços mais competitivos.
O que fica mais barato no supermercado?
O consumidor pode esperar uma maior variedade e uma possível redução nos preços de itens como:
- Vinhos, azeites e queijos: Com a Europa concentrando grandes produtores como Itália, França e Espanha, a redução tarifária deve facilitar o acesso a produtos de qualidade por preços mais acessíveis.
- Chocolates e lácteos premium: Marcas antes indisponíveis no mercado nacional devem chegar às prateleiras dos supermercados.
- Medicamentos e produtos farmacêuticos: Itens que representam mais de 8% das importações brasileiras da UE também devem sentir os efeitos da desoneração.
É importante ressaltar que a queda de preços será gradual, especialmente em produtos complexos como automóveis, que hoje enfrentam uma taxação de 35% a ser zerada em até 15 anos.
Impacto na indústria e no agronegócio brasileiro
Os benefícios não se limitam ao consumo. A produção nacional também ganha com o acordo:
- Insumos mais baratos: A indústria e o agronegócio terão acesso a tecnologias, máquinas, fertilizantes e equipamentos europeus com custo reduzido, estimulando a modernização e a produtividade.
- Portas abertas para a exportação: O tratado cria oportunidades para ampliar as vendas de produtos brasileiros para o bloco europeu. Calçados (com tarifas de 3% a 7% a serem zeradas em até 4 anos) e frutas, como a uva (com taxação de 14% eliminada imediatamente), são alguns dos setores beneficiados.
Segundo a ApexBrasil, o acordo cria uma rede de comércio de US$ 22 trilhões, com potencial de gerar US$ 7 bilhões em exportações adicionais para o Brasil. Projeções do Ipea indicam que, até 2040, o acordo pode elevar o PIB brasileiro em 0,46%.
Um mercado de 720 milhões de consumidores
O acordo abrange um mercado combinado de 720 milhões de pessoas – 450 milhões na Europa e 270 milhões no Mercosul –, representando cerca de 25% do PIB global. O objetivo central é facilitar as trocas, reduzindo barreiras alfandegárias e estabelecendo regras comuns, beneficiando tanto os produtores quanto os consumidores de ambos os lados do Atlântico.