O governo federal afirmou, em nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, que a assinatura do acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia está inserida na estratégia de ampliar e diversificar mercados externos para produtos brasileiros.

A declaração foi divulgada após a assinatura do acordo, realizada em Assunção, no Paraguai, sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil no evento, que contou com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, António Costa, e dos presidentes da Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai.

Na nota, o governo destacou que a política de acordos comerciais não se limita à parceria com a União Europeia. Desde 2023, o Brasil concluiu negociações com Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Há ainda negociações em andamento com países como Emirados Árabes Unidos, Canadá, Vietnã e Japão, além de tratativas para ampliar o acordo de preferências tarifárias com a Índia.

O acordo comercial, assinado após mais de 25 anos de negociações, marca um passo decisivo para a criação da maior zona de livre comércio do mundo. O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos, e estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil responde por mais de 82% de todas as importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas à Europa.

Em encontro com a presidente da Comissão Europeia no Rio de Janeiro, um dia antes da assinatura, o presidente Lula classificou a demora para concluir o acordo como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”. Ele destacou que o tratado reúne cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões, sendo uma parceria baseada no multilateralismo que vai além da dimensão econômica, compartilhando valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos.

A assinatura, no entanto, não encerra o processo. Para que o tratado entre em vigor, o texto ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos de todos os países envolvidos, um caminho que tende a ser longo e politicamente sensível, sobretudo dentro da UE.