Uma articulação política de alto nível está em curso em Brasília, envolvendo setores do governo, Congresso e Judiciário, com o objetivo de conter investigações que ameaçam planos eleitorais em ano de disputa. O movimento busca um ‘acordão’ para reduzir frentes de desgaste e minimizar riscos políticos.
Nos bastidores do Congresso, a principal negociação gira em torno de duas frentes investigativas sensíveis: a CPI mista do INSS, que preocupa o núcleo do governo e petistas, e a tentativa de barrar a instalação da chamada CPI do Master, defendida por líderes do Centrão. A possível troca está sendo costurada entre dirigentes do Centrão e setores do PT.
A CPMI do INSS, que retoma os trabalhos, avalia quebrar os sigilos bancário e fiscal de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A oposição quer investigar suas relações com Antônio Carlos Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’.
Pressionado por investigações sobre emendas, o Congresso sinaliza ao governo que sua cooperação é crucial para aprovar pautas eleitorais. Em troca, o Planalto busca avançar com propostas como o fim da escala 6×1 e a aprovação da indicação de Jorge Messias para o STF no Senado.
No Judiciário, o governo monitora a atuação do TSE sob o comando de Nunes Marques, com André Mendonça como vice – ambos indicados ao STF por Jair Bolsonaro – e Dias Toffoli na composição do tribunal eleitoral. O Palácio do Planalto teme que desgastes nas relações com o STF, agravados pelo caso Master, afetem a governabilidade em momento decisivo.
O STF, por sua vez, já manifestou incômodo ao Planalto com o que avalia como falta de apoio do presidente Lula na crise envolvendo o Banco Master. A grande questão que se coloca é se os atores políticos conseguirão efetivamente ‘tirar a pressão’ e desacelerar investigações de olho nas eleições de 2026.