A Ancora Holdings, uma empresa com uma participação de cerca de 200 milhões de dólares na Warner Bros. Discovery, planeja opor-se publicamente ao acordo de venda da empresa para a Netflix. Segundo o The Wall Street Journal, o grupo prefere uma proposta da Paramount Skydance e considera que a Warner não avaliou devidamente essa alternativa.

O grupo deve manifestar-se oficialmente ainda esta semana, aumentando a pressão sobre a direção da Warner. A notícia surge no mesmo dia em que a Paramount anunciou uma revisão estratégica da sua proposta de aquisição, oferecendo 30 dólares por ação em dinheiro, além de uma taxa adicional de 0,25 dólares por ação a cada trimestre caso o negócio não se concretize até dezembro de 2026.

Um dos pontos fortes da proposta da Paramount é o compromisso de assumir a multa de 2,8 mil milhões de dólares que a Warner teria de pagar à Netflix em caso de ruptura do contrato existente. A empresa argumenta que a sua oferta é mais previsível do que a da Netflix, cujo valor final pode flutuar com base na saúde financeira da Warner no momento da cisão.

Esta batalha pela aquisição da Warner intensifica-se num contexto de crescente escrutínio regulatório. Na semana passada, foi noticiado que o Departamento de Justiça dos EUA está a investigar se a proposta da Netflix poderá constituir uma prática anticompetitiva, analisando se a fusão poderia criar um poder de mercado excessivo.

Em janeiro, a Netflix alterou a sua proposta inicial, passando a oferecer 82,7 mil milhões de dólares (cerca de 445,7 mil milhões de reais) integralmente em dinheiro, numa tentativa de tornar a oferta mais atrativa e dificultar a entrada de concorrentes. A nova estrutura, aprovada pelo conselho da Warner, fixa o valor por ação em 27,75 dólares, eliminando a componente de pagamento em ações da Netflix e, consequentemente, o risco associado à sua volatilidade.

David Zaslav, CEO da Warner Bros. Discovery, defendeu o acordo com a Netflix como a “união de duas das maiores empresas de narrativa do mundo”. No entanto, a conclusão da operação depende ainda de aprovações regulatórias, do aval dos acionistas e da cisão da Discovery Global, estando prevista para os próximos seis a nove meses.