A política de Donald Trump pode estar, paradoxalmente, a fortalecer a posição da Europa no comércio global. Se os Estados Unidos fecham portas, quem fica de fora é forçado a procurar novas alternativas. E a União Europeia está a posicionar-se ativamente como a principal alternativa aos americanos.

Para além do acordo com o Mercosul, a UE concluiu recentemente um pacto histórico com a Índia, criando uma zona de livre comércio que abrange cerca de 2 mil milhões de pessoas – quase o dobro do potencial do acordo com a América do Sul. “Estamos a enviar um forte sinal para o mundo, numa época em que este se está a tornar mais fragmentado e conflituoso”, declarou Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia.

O caminho nem sempre é fácil, como demonstram as negociações complexas com o Mercosul. No entanto, a sinalização europeia é clara: o continente pretende ampliar não só a sua influência económica, mas também política.

Atualmente, o bloco mantém acordos comerciais com 76 países e ambiciona aderir à Parceria Transpacífica (CPTPP), um bloco que inclui nações como o Canadá, Austrália, Reino Unido, Peru e Singapura. Negociações com a Malásia, Filipinas e Emirados Árabes Unidos estão em curso, assim como uma revisão do acordo pós-Brexit com o Reino Unido.

Estes movimentos são cruciais para diversificar as cadeias de abastecimento e facilitar o fluxo de insumos para a Europa. Por detrás desta estratégia, há também uma mensagem política: a de que um mundo baseado em regras e cooperação, e não em truculência, ainda é possível. A Europa mostra-se disposta a ser protagonista na definição desta nova ordem mundial.